[O que ele disse, o que entendi. Portanto, uma reflexão sobre]
Acabei de assistir a entrevista mais recente de Lula. Gostaria de compartilhar algumas impressões com vocês. Apesar de todo debate girar em torno do presente, o que me pareceu, enquanto assistia, era que o futuro é imprescindível.
Contudo. E antes de começar, me desculpe. É interessante entender o movimento de exposição política do ex-presidente. Ele acontece 'de fora para dentro'. Isto é, primeiro a imprensa internacional, depois a brasileira. Dos mais críticos para aliados. E nos revela uma estratégia pertinente à ocupação do debate político.
A operação.
Confesso que neste primeiro instante, isso parece bom, porque é um canal concreto de crítica ao governo Bolsonaro. E reaparecimento de uma oposição que ameaça o que parecia predominante da política brasileira, o bolsonarismo.
A primeira parte, que girou em torno da Lava Jato. O que tivemos foi a confirmação da leitura sobre a operação e seus desdobramentos políticos. Apontando, erros após erros, como as diversas contradições na aplicação da lei. Evidente uso político. Deixando entender que combate a corrupção acabou destruindo a economia nacional.
Isso chegou ao ponto em que acredito na essência política de Lula. O Estado não é o problema para a economia. E deveria ser 'bom sócio' da economia brasileira. E que o mercado deveria fazer "a sua parte" [social]. O tal exemplo deste bom sócio está abrindo capital de diversas empresas brasileiras. Sim, em parte é a mesma receita dos governos anteriores.
O interessante quando Reinaldo Azevedo perguntou de onde vem dinheiro? [para enfrentar a crise sanitária, respectivamente a econômica] Logo refere-se a situação opostas do economia expansão, ou crescimento, na década 2010. No geral, ele confirmou que endividamento não é a questão, daí o dinheiro, podendo ser o caminho para uma retomada do investimento público, respectivamente da economia brasileira.
A doença
A segunda parte, quando aponta as questões da pandemia. Talvez seja a questão mais pertinente. Porque, coloca como uma solução articulada no aspecto global da pandemia. Sendo um problema social e material dos países do G20. Aqui encontramos, um pouco, do sentido, também da estratégia de comunicação que apontamos inicialmente.
Aqui, mostra, em certa medida, o nosso maior atraso, que é a política internacional. O isolamento proporcionado pelo alinhamento automático com o governo derrotado de Trump. O afastamento de quem tem a tecnologia ou estrutura material; e oportunidades concretas de enfrentamento, levando para a situação caótica que vivemos.
Enfim…
Concluo a partir de dois elementos. Um disse, outro não. O primeiro que Lula, respectivamente a direção do PT está aberta a ampliar a política de aliança para vencer nas eleições. E o que não foi dito, sobre a 'crise dos militares'... Inclusive, até esperava alguma opinião sobre a questão.
O que dá entender, aqui tatear a questão no escuro, que não existe crise. O que acontece é um rearranjo interno, onde um setor governista enfrenta, respectivamente, derrota, o outro. Isso mostra mais sobre o governo do que pelas forças armadas.